terça-feira, 13 de março de 2012

Meus poucos fatos

Não escreverei sonetos pois ignoro
o anseio de pertencer à algum lugar
Jazo deslocada, longe dos arquétipos
poéticos humanos, pois caibo apenas à
minha própria quimera infiel e
não amarei novamente homens que
sobrevivem de frutos femininos, donde
extraem todo amor, toda e dor e tudo
que lhes incumbir no mais íntimo sentimento.
Renunciei minha lucidez para poder beber,
além das garrafas vazias que já deixei,
mas beber da cerne de minha oculta
criação que em sigilos me arquiteto.

Debilitado está meu corpo, mas os dias são
breves e meu coração há de deixar de doer.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Helena

Helena, pecou a palavra, que nela, virou verbo.
Pecou a carne, que dela, não mais era.
Habitante, não dona, Helena, da flor fera que extraiu
de milhares de líquidos o vazio do suor, sentimento
e da própria morte ao querer ser a mais Bela.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Desconhecido


Me contaram
-   -  de formas apanhadas
e astrológicas
sobre a sorte do nosso amor.

Se me perguntarem de que tudo
O que mais viviverei, contemplarei
Pois sinto falta de nossa fala que está por vir
Quero teu colo intimamente, porém serenos
Vida curta, longa morada.

Elaboro-me agora, apenas em versos simples
Adapto-me aos cantos de todos os pássaros
Que em todos os ninhos se refugiam
Ao anunciar dessas manhãs tão belas

Amanhã, em ousadia, falarás
Serão teus olhos passagem
Para esse vasto vazio azul
Que tanto anuncias?
Serão mesmo os teus olhos
Ou isso será somente ensejo
Para que me perca
Em teus lábios?

Meus quentes lábios que descansam
Serão quantos
ô, meu futuro?

Oh, menino
Quero mesmo
é fazer-te homem.