sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O poeta XIII

Eu sei de muita coisa, mas,
Meu bem, não sei de tudo
Vivi muitas histórias, mas
Foram tantas, que são poucas.

Sei de gostos de diversas bocas,
Camas foram poucas, mas
De tantos amores e paixões
Fiz-me louca.

Ah, se eu parar pra contar
Tantas ruas, segredos e memórias,
Se for pra remorar cada santo dia,
A noção do tempo me perde, silencia.

E digo-te de passagem,
A minha sublime verdade,
Que foram sim, muitas idas e vindas,
Para meus poucos anos de bebida,
Poucos anos em mãos, muito cansaço da vida. 

Digo-te afobada,
Digo-te em unissono,
Digo-te que te amo.

E que por saber de tantas bocas e perfumes,
Por ter contado estrelas acreditanto em promessas,
Sei que é em ti meu caminho certo,
É você, poeta, quem quero.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bala perdida

E não há mais tempo para ir embora,
Pois que se fechem as batentes,
E que voem os pássaros,
Antes que a alma pereça.

Antes que a dor esmague,
E que a memória se apague,
Não por acaso, por querer.

Alguém matou meu amor,
E engoliu a língua pois vira as visões
Do mundo caótico e descordernado,
Do paradoxo de duas faces de mesmo lado.

E antes que meu mundo desapareça,
Que venham os últimos raios de sol,
E que a areia asse minha carne,
Que o sal do mar me purifique de mim.

Fora bala perdida,
Fala afogada,
Foi suspiro antes do tempo,
Fora a quebra do silêncio.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Fúria


Abrupto, era a confissão do farol
O farol da ilha que não existia,
Inabalável do oráculo que me acenava
Com gosto podre do sanduíche
- de mostarda esquecido no refrigerador.
Avistando a ilha de sete lados verticais,
E a fúria constante das ondas
Segredando em sussurros
Vá; pois mente
Fique; perdeste
Deixe-me na maré levar
Toda saudade e emoção esdrúxula de papel antiquado
Algo está errado.
Vi crianças andar em trilhos com a felicidade da infância que não tive
Quebrei meus dentes mascando meu ódio,
E o cheiro podre do lixo lavando-me a alma,
Agasalhei-me em solidão - Ela volta.
É o fado - Ela volta
O verde, o âmago, o alto, o Luria, aceite!
Não existe beleza nestas praias,
O vento arrasta toda areia limpa,
Fica e permanece o decadente e a dor do inconcepto
Eu reclamo de boca cheia.
E as lágrimas não me anseiam mais,
A poesia de amargura nesses mil olhos famintos,
Que me devoram sem gosto de triunfo,
E contam histórias com o silêncio do íntimo
Cai, agarra,
Cala.