segunda-feira, 14 de novembro de 2011

-Alô?

-Oi, sou eu. Por favor, não desliga, só me escuta. Tá, são 3:30 da manhã, mas eu preciso te dizer umas coisas que deveriam ter sido ditas antes.  Eu sei, fui um idiota filho de uma rapariga com você. Joguei seu coração no ventilador, fiz uma vitamina de seus resquícios e bebi com vodka. Disse que poderia caminhar pela praia muito bem sem você. Eu sei, eu digo pra Deus e o mundo que eu não te amo mais, que já passou. E sim, eu dormi com aquela sua “amiga”. Repetidas vezes.  Na verdade, nem sei dizer direito o porquê. Não que eu não goste dela, não é isso. Acho que foi meu orgulho de macho tentando se afirmar solteiro convicto, inamorável, sujeitinho cafageste incapaz de amar ou sentir falta de alguém. Tá, eu sei, eu vacilei feio com você. Mas quer saber, eu cansei. Cansei de me perder em outras coxas procurando as tuas. Cansei de ouvir as nossas músicas esentir uma puta falta da sua voz doce cantando pra mim antes de dormir. Cansei de beber todas, comer todas, e me sentir um saco usado e sujo de lixo pela manhã.Cansei dessa viadagem de afirmar pra mim que você não é a mulher da minha vida, que os seus defeitos não são perfeitos pra mim, que se existe essa parada de metade da laranja, você não é a minha,  que eu não sinto falta do seu gemido rouco, de você perambulando com a minha camisa verde amarrotada e meus cordões (grandes demais pra você) pelos cômodos da minha casa.Cansei da sua ausência. Sim, você me faz falta. E sim, eu amanheci em camas que não conhecia, provei bebidas que não deveria, li aqueles livros “bestas” sobre auto-ajuda, freqüentei lugares que jurei não passar nem do outro lado da rua, passei a comer salada no almoço, parei de lanchar na madrugada como fazíamos sempre, mudei minha rotina, meu quarto, meus móveis,meus discos, meu hábitos. Sabe a nossa música? É a minha música preferida. Eu toco todo dia, pra outras garotas, e finjo que o mundo é um lugar mais bonito e tranqüilo quando o meu olhar não vem na direção do seu. Viu como aprendi a mentir?  Pois é, tenho me perdido em outros olhares. Alguns bonitos até. Outros  mais verdes que os teus. Tenho mergulhado em gente que sorri com os olhos, assim como você faz quando assiste uma cena da sua novelinha da Globo, ou um filme meloso de comédia romântica. Pra ser sincero, até encontrei um olhar parecido com o seu. Parecido. Entende o problemão que eu to enfrentando? Eu acabei de me dar conta de que não importa o que eu faça, aonde eu vá, quantos goles e bares de esquinas eu dance um bolero, quantas bocas eu beije, quantos gozos frenéticos eu tenha, quantos cabelos cheirosos da cor da noite eu afague, quantas músicas eu cante ou grave, quantos olhos sorriam na direção dos meus, nenhuma delas é você. E eu não conheço outra capaz de te preencher aqui. E por mais que eu ocupe o meu tempo, ele continua vazio sem seus reboliços na madrugada nua pela cozinha em busca daquela pipoca com calda de chocolate que você tanto gosta. Tudo em mim é você. Todo aqui é teu, meu Amor. Eu rodei, rodei, e continuo no mesmo lugar de quando te mandei embora da minha vida. Eu pensei que pudesse te juntar na mochila e te mandar pro espaço, mas não fui capaz desse feito. Acho que nunca vou ser. Eu tive um medo absurdo do que sentia por você. Aliás, do que sinto. Não é todo cara de 20 e poucos anos que se depara com a garota imperfeita dos seus sonhos. Então, por favor, tire essa outra camisa verde desse cara babacamente perfeitinho pra você, e vista a minha. Atenda o interfone, abra o portão. Estou na porta do seu apartamento. 

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